À luz da Doutrina Social da Igreja e do Catecismo da Igreja Católica
- O CATÓLICO PODE PARTICIPAR DA POLÍTICA E VOTAR?
R: Sim, e deve. CIC 2240 “A submissão às autoridades e a corresponsabilidade pelo bem comum impõem
em consciência a obrigação moral de votar”. Entendendo que o bem comum não é “bem do governo” nem
“bem do meu grupo”, mas, “o conjunto das condições da vida social que permitem aos grupos e a cada um de
seus membros alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” CIC 1906. Em outras palavras: É ter
escola boa, hospital, segurança, água, trabalho digno, família protegida, liberdade para expressar sua fé…
PARA TODOS. Se falta para um, falta para comunidade inteira.
A política é uma forma de caridade. Abstinência por comodismo é falta de compromisso com o bem comum. - A IGREJA PODE INDICAR CANDIDATO OU PARTIDO?
R: Não. A Igreja não se filia a partidos nem faz campanha para candidato. CIC 2246
O papel da Igreja é formar consciências, isto é (ensinar a Doutrina, o Catecismo, Doutrina Social; formar o
cristão para pensar e agir como Cristo), iluminar com os princípios do Evangelho (mostrar os princípios
evangélicos: vida, família, verdade, justiça, bem comum) e deixar o fiel escolher com liberdade (depois de
formado, o leigo decide. Deus respeita a liberdade). A missão do leigo é justamente “animar com espírito
cristão as realidades temporais” LG 31: política, escola, trabalho, arte. A Igreja não entra no Congresso. O
leigo entra. Cardeal Ratzinger: “A Igreja não precisa impor. Precisa convencer. E só convence quem vive o
que prega.” - QUAIS CRITÉRIOS O CATÓLICO DEVE USAR PARA VOTAR?
R: A consciência bem formada à luz do Evangelho. CIC 1776: “A consciência é a lei interior do homem. É
ela que, num dado momento, o impele a fazer o bem e a evitar o mal. “É a voz de Deus dentro de você. Não é
“o que eu acho”. É “o que Deus me mostra que é certo”. Destaco 4 inimigos da consciência bem formada a)
RELATIVISMO: “Cada um tem sua verdade” → Não. A Verdade tem nome: Jesus; b) IGNORÂNCIA:
“Não sei de política/doutrina” → Ignorância vencível é culpa; c) PRESSÃO SOCIAL: “Mas todo mundo da
igreja vota em…” → E Jesus?; d) PREGUIÇA: “É muito complicado pensar” → Decidir sem pensar é
terceirizar sua alma. Os “princípios não-negociáveis”: Defesa da vida – do ventre à morte natural. Família –
baseada no matrimônio entre homem e mulher. Liberdade religiosa e educação dos filhos. Bem comum e
justiça social. Nota da CNBB: Nenhum católico, se bem formado na sã doutrina, poderia votar em quem
defende aborto, eutanásia, casamento homoafetivo, enfim, práticas que são contrárias à doutrina da fé
professada. - É PECADO VOTAR EM CANDIDATO QUE DEFENDE O ABORTO?
R: Pode ser cooperação com o mal, ou seja, quando eu participo, ajudo, incentivo ou me calo diante de um
ato errado do outro. Não cometi o pecado diretamente, mas dei força para ele acontecer. Exemplo bíblico:
Pilatos não matou Jesus. Mas lavou as mãos e entregou. Cooperou. CIC 2273: “A cooperação formal numa
prática gravemente injusta constitui uma ofensa grave”. “Entre todas as agressões contra a vida humana, o
aborto é a que mais caracteriza a civilização atual”. Se existem opções que defendem a vida, o católico tem
dever moral de escolhê-las. Votar sabendo disso é assumir a responsabilidade. - O PADRE, O LEIGO (FIEL) PODE FAZER CAMPANHA POLÍTICA NA MISSA?
R: Não. O padre não pode usar púlpito, grupos de igreja ou nome da paróquia para pedir voto. LEI
ELEITORAL 9.504/97: Art. 37: É proibida propaganda eleitoral em bens públicos (Igreja, salão paroquial,
grupo de WhatsApp da catequese = bem da comunidade religiosa.) Usar para campanha é crime eleitoral.
MOTIVO PASTORAL: O ambão é lugar da Palavra de Deus, não de palanque. Se a Igreja vira “cabide de
partido”, perde a credibilidade para falar de Jesus com todos. Ele pode e deve formar sobre Doutrina Social,
mas sem citar nomes. O que pode: rezar pelo Brasil, pelas autoridades e pelo voto consciente.
E o leigo? O leigo tem liberdade total. Fora do espaço da Igreja. Ele pode: Fazer campanha nas redes sociais
pessoal, distribuir santinho na rua, ser candidato. Mas não pode: usar o grupo Catequese ou de pastoral para
mandar propaganda, subir no ambão e pedir voto, dizer “a nossa pastoral apoia X ou Y”. - E SE TODOS OS CANDIDATOS FOREM RUINS? O QUE EU FAÇO?
R: 1. Reze e peça luz. 2. Estude propostas. 3. Vote sempre buscando o bem maior, segundo a consciência,
visando o bem comum. Você vota em quem causa menos dano ao bem comum. Nesse caso: Mesmo que não
concorde com ele em tudo. Isso é “votar visando o bem maior”. Não é aprovar o mal, mas limitá-lo. A Igreja
ensina que “Quando não existe opção perfeita, escolha o que causa menos dano ao bem comum”. Voto
nulo/branco é opção, mas não resolve o problema. CIC 1915 “O bem comum exige o esforço de todos”. A
omissão também tem consequência.

7. O CRISTÃO DEVE SE ENVOLVER EM PARTIDO, CAMPANHA, CÂMARA?
R: Deve. CIC 1916 “Os cidadãos devem participar na vida pública”. Precisamos de católicos na política para
levar sal e luz. Política sem Deus vira corrupção. Política com Deus vira serviço. 1Cor 12,27 “Vós sois o
corpo de Cristo”: se a cidade adoece, o Corpo adoece; se a escola é ruim, nossos filhos sofrem; não dá para
dizer “isso não é comigo”. Além disso, segundo Papa Francisco, na FT 180: “A política é uma forma sublime
de caridade, porque busca o bem comum”. Cuidar da rua, da lei, do hospital é amar o próximo na prática. E
ainda, é missão do leigo: LG 31 Concílio Vaticano II: “Aos leigos cabe, por vocação própria, procurar o
Reino de Deus tratando das realidades temporais”. O padre fica no altar. O leigo vai para câmara, escola,
empresa, sindicato.
8. POSSO BRIGAR, OFENDER E XINGAR POR CAUSA DE POLÍTICA?
R: Não. Ef 4, 29 “Nenhuma palavra má saia da vossa boca”
Debater ideias sim. Destruir irmão não. Quem perde a caridade por política, já perdeu a eleição mais
importante: a da santidade. Jo 13,35: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns
aos outros”. Debater = Trocar argumento, ideia, proposta. Buscar a verdade junto. Já destruir = Atacar
pessoa, xingar, difamar, cancelar, fazer intrigas. Jesus debateu com fariseus a vida inteira. Mas nunca
destruiu a dignidade de ninguém. Até com Judas na traição Ele chamou de “amigo”. Mt 26,50
Há três princípios de um bom debate católico: 1. VERDADE SEM VIOLÊNCIA, 2. PESSOA ACIMA DA
IDEIA, e 3. BEM COMUM ACIMA DA VITÓRIA.
9. DEPOIS DA ELEIÇÃO, QUAL NOSSA OBRIGAÇÃO?
R: Orar pelas autoridades e cobrar com respeito. 1Tm 2, 1-2 “Recomendo que se façam preces… pelos reis e
por todos os que exercem a autoridade”. 3 motivos: PELA MISSÃO DELES – Governar é pesado. Precisam
de sabedoria de Deus 1Rs 3,9; PELO BEM COMUM – Se eles acertam, o povo vive em paz. Se erram, o
povo sofre; PORQUE FOI JESUS QUEM MANDOU – Até Pilatos e Herodes receberam oração da Igreja
primitiva. Orar não é concordar com tudo. É reconhecer que Deus pode converter e iluminar.
Ganhou ou perdeu, o governo merece nossa oração.
E fiscalizar é dever de cidadão. CIC 2240: “A submissão à autoridade não dispensa de colaborar no bem
comum”. Cobrar é dever do cidadão. Doutrina Social da Igreja: O povo tem direito e dever de fiscalizar.
Exemplos bíblicos: João Batista cobrou Herodes. Mc 6,18
Os profetas cobravam os reis. Is 1,17 “Aprendei a fazer o bem, procurai o direito”
10. QUAL A DIFERENÇA ENTRE “IGREJA” E “FIEL LEIGO” NA POLÍTICA?
R: A Igreja dá os princípios. O leigo aplica na política.
O Bispo e padre formam a consciência. Quem entra no partido, disputa a eleição, vota e governa é você, fiel
leigo. CIC 897
O MUNDO É LUGAR DO LEIGO: O padre não pode ser vereador. A freira não pode ser deputada.
Quem está na empresa, escola, câmara, sindicato é o fiel leigo. Se ele não for, quem vai levar Cristo para lá?
POLÍTICA SEM DEUS VIRA PODER PELO PODER: Sem testemunho, vira corrupção, vaidade, ideologia.
O testemunho do leigo lembra: “Aqui tem gente que serve, não que se serve”. O POVO PRECISA VER
PARA CRER – discurso convence 1 dia. Vida coerente converte geração.
PAPA FRANCISCO: “A melhor política é feita com dedo calejado de trabalho e coração aberto ao pobre”
Pe. Antoniel de A. Peçanha
24/08/2026
